terça-feira, 27 de outubro de 2009
O MJ bar
Deparei-me com algumas coisas escritas sobre o Mj bar do amigo Pedro Varino que me suscitaram algumas ideias. Num concelho morto (perdoem-me a expressão tão violenta) é de louvar um espaço como aquele. É um espaço que leva pessoas de todos os lados da região a ir ao concelho. A programação é repetitiva e, ultimamente, pouco imaginativa mas compreende-se a falta de recursos humanos. O bar é acolhedor e enche com facilidade. Tem uma convivência alegre e reúne os cidadãos de todo o concelho, de um e outro lado da margem do nosso Tejo. Se criticam o bar é porque não sabem o que fazem.
Um amigo meu de Torres Novas foi lá uma vez e ficou surpreendido pela confusão (positiva) que ali acontecia, numa aldeia de sombras em que se houve o vento nas horas de maior acção. Sou um cliente muito pouco assíduo mas é sempre mais uma razão para visitar minha terra. Têm havido episódios menos felizes, fruto do excesso de algumas pessoas, com prejuízos irreparáveis e outros muito menos graves, mas a culpa não é de ninguém a não ser dessas mesmas pessoas. Acontece em qualquer espaço aberto ao público.
Aproxima-se mais um aniversário do espaço. Os meus parabéns adiantados ao Pedro e sua equipa. Que as ideias não se apaguem e que muitos anos de sucesso conheça. Bem haja à iniciativa e bem haja ao trabalho de quem é empreendedor!
O vento dos blogues ou o vento das cabeças...
Tenho de ser sincero... Não esperava ver e ler algumas das coisas que li e vi nestes últimos dias. Tenho lido os blogues com maior atenção, de lés a lés e é íncrivel a quantidade de rancor e dor que por aí há. O mais triste é ver que muitos são amigos de longa data e se desviam agora uns dos outros por causa de politiquices. Reconheço nesta gente do concelho de Constância uma especial aptidão para isso: "ou estás connosco ou contra nós". Isto é triste. Em vez de discutirem política como adultos parecem crianças em volta de um brinquedo novo. Talvez precisem de um pouco de ritalina para vos acalmar os ímpetos destrutivos.
Por este caminho despedeçarão a comunidade. Aos amigos afectos à CDU e que também entram (em quota parte igual) nestes jogos de poder online, não se esqueçam que o vosso poder não dura sempre e que quando o concelho mudar de cor (porque muda, leve 4 ou 8 ou 12 ou mais anos) não serão esquecidas as vossas palavras e os vossos actos...
Quanto aos outros que não são afectos ao actual poder não se esqueçam que um dia poderão sê-lo e que nada se esquece também!
À volta do bagulho a poeira não assenta. Uns cegos outros roucos, assim vai a luta de galos em Constância...
Por este caminho despedeçarão a comunidade. Aos amigos afectos à CDU e que também entram (em quota parte igual) nestes jogos de poder online, não se esqueçam que o vosso poder não dura sempre e que quando o concelho mudar de cor (porque muda, leve 4 ou 8 ou 12 ou mais anos) não serão esquecidas as vossas palavras e os vossos actos...
Quanto aos outros que não são afectos ao actual poder não se esqueçam que um dia poderão sê-lo e que nada se esquece também!
À volta do bagulho a poeira não assenta. Uns cegos outros roucos, assim vai a luta de galos em Constância...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Ricardo Araújo Pereira
Importa ler a sua crónica na última Visão porque apesar de cómica não deixa de ser um alerta à nossa (adormecida) visão e perspicácia democráticas. http://aeiou.visao.pt/portugal-rabejador-da-europa=f534148
Está na hora do vento mudar... Digo eu... espero que isto de ser Ribatejano e viver lado a lado com tanta tourada não seja mau agoiro...
Está na hora do vento mudar... Digo eu... espero que isto de ser Ribatejano e viver lado a lado com tanta tourada não seja mau agoiro...
Os Políticos
Durante a semana passada estive num colóquio cuja temática era "A política e as novas tecnologias". Embora não sendo a minha área por exactidão curricular fui levado a comparecer. Foi uma boa semana passada em Lisboa apesar dos dois dias em que a chuva teimou em aparecer. Na minha área, a saúde, só se encontram políticos quando algo de grave acontece ao físico ou ao psicológico. É claro que em Torres Novas onde trabalho poucos são os que encontro, apesar de ser estabelecimento privado. Estava à espera de encontrar alguns políticos, nomeadamente alguns novos deputados, os mais jovens... Zero. Isto apesar de na lista de inscritos estarem alguns. Após algumas conversas apercebi-me que os vastos currículos que alguns desses políticos ostentam são na verdade falsos testemunhos das suas vidas. Os seus nomes constavam da lista de inscritos mas logo me segredaram que é prática comum os políticos ou pessoas ligadas à política (sabendo que muitos outros profissionais o fazem) inscreverem-se em colóquios, conferências e outros eventos académicos, para depois enviarem alguém que levante o comprovativo de presença e participação no dito evento. Assim também eu! Uma vez que para a minha profissão a temática nada influiria fiquei desiludido por saber-me interessado por algo sobre o que os reais interessados desprezaram singelamente.
Não admira pois que, ao ligar para casa após mais uma sessão do colóquio, o meu filho me tenha perguntado o que fazia longe de casa e eu tenha respondido com a temática do evento. Ao ouvir o tema nada percebeu, obviamente. Percebeu tanto quanto um miúdo de cinco anos perceberia, mas tocou alarme com a palavra "política" e logo disparou: não são aqueles que só dizem mentiras? Fiquei estupefacto pelo comentário e respondi com polido discurso politicamente correcto: são só alguns filho, só alguns, não todos. Pensei logo no momento no perigo que aí vem. Aos cinco anos os miúdos já os têm como mentirosos... Para onde vamos caminhar? Não é desculpá-los mas por alguns não devem outros sofrer. Entre 100 maçãs haverá metade podres e outra tanta saudável. Não fui eu nem a minha mulher quem lhe ensinou estes costumes, isso tenho a certeza. A arreigada convicção vem de algum lado. O mundo actual dá-nos pouco tempo para educar os nossos filhos. Estão à mercê da geral vilipendiada opinião que, nestas idades, se ouve de raspão mas que a memória faz perdurar na aproximação aos adultos.
É verdade que a semana passada se provou para mim ser mais um prego no caixão da imagem que tenho dos políticos mas faltam muitos ainda para que deixem de respirar. Não podemos entrar no barco da generalização. Há políticos que honram o seu trabalho, que honram o seu discurso, a sua missão. É muito perigoso generalizar:
1- Desacredita a democracia enquanto sistema do e para o povo;
2- Descredibiliza o trabalho dos bons políticos e demotiva-os;
3- Reforça os anti-democráticos que bebem do desinteresse popular e sua abstenção;
4- Desresponsabiliza os políticos e leva a que os maus políticos se esforcem ainda mais nas suas más funções;
5- Desmotiva os bons políticos que se podem demitir do seu trabalho qualitativo: "se ninguém se importa com isto, se somos todos iguais, para que nos andamos aqui a esforçar?", daqui ao umbigo é um ápice.
Folgo poder dizer, de consciência livre e apartidária que conheço ainda muito bons políticos, ou pessoas ligadas ao "poder" seja de que índole for. Alguns pessoalmente outros do que a vida política e mediática me dá a conhcer. A nível local destaco alguns: António Mendes, Rui Carreteiro, Anabela Grácio, Miguel Pombeiro, Sérgio Carrinho, Máximo Ferreira (enquanto director do Centro Ciência Viva), entre outros que agora entram, nomeadamente em Constância e que podem ser uma mais-valia a ter em conta. Na oposição também os encontramos apesar do seu menor mediatismo.
(Nestas coisas de abstenção um aparte. Constância tem uma abstenção muito baixa o que me orgulha e sai fora da média nacional que é deplorável. Não é só porque o concelho é pequeno mas também graças às aguerridas campanhas que se levam a cabo a cada plebiscito.)
A nível nacional há outros tantos mas tenho pena que um deles esteja afastado, ou tenha sido afastado: Ferro Rodrigues. Faz-nos falta no governo, faz falta ao PS. Aprecio Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Miguel Portas, António Costa e Jorge Sampaio, Luis Amado ou Teixeira dos Santos entre outros. Até prova em contrário continuarei com a mesma opinião.
A ver vamos, somos resistentes mas temos um limite. Importa é não generalizar...
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Manual de maus costumes
Quiçá uma cobardia, pensarão muitos, mas não vou escrever sobre a polémica "instalada" em torno das declarações de José Saramago enquanto não observar o debate de amanhã na Sic do Balsemão. Sou ateu. Ponto. O nosso estado é supostamente laico. Ponto. Vivemos em democracia, pluralismo. Ponto. A nossa democracia é, por vezes (demasiadas), uma falsidade no que concerne aos escritos constitucionais. Ponto!!!! Fico à espera de reacções. Meio ponto. A verdade, muitas vezes, está longe do que tomamos por verdade. Ponto... ao cubo...
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Então e os outros?
Acharão estranho não escrever aqui sobre PSD e CDS/PP. Poderão dizer que escrevo demasiado sobre a CDU e menos sobre o PS. Sobre a CDU, é normal que fale mais. É partido do poder há 23 anos e permanecerá por mais 4. Por estas razões o escrutínio é maior. Há mais base de lançamento de críticas e elogios porque a obra, boa ou má, está feita e faz-se ainda. O PS enquanto oposição tem o seu papel e não deixará de ser observada e analisada. O Bloco de Esquerda não está presente no nosso concelho (permitam-me dizer nosso, foram 24 anos de vivência) mas prevejo que ainda terei oportunidade de muito sobre ele falar. Assim cresça e a esquerda com ele.
Sobre os outros partidos, realçando mais uma vez, com a sinceridade necessária, que não sou de direita nem tenho prazer em falar da direita, não me subjugarei ao meu próprio sectarismo. No entanto há coisas desagradáveis que temos de aceitar e a democracia é isso mesmo. Há certos momentos em que, se pudessémos, por eles não passaríamos mas respeite-se a pluralidade e as exigências adjacentes a ser democrático. O PSD apesar da pouco propalada origem, teve fonte no marxismo e não num carneirismo. Apesar disso a minha discordância com quase tudo o que as pessoas afectas ao partido dizem torna-me terrivelmente parcial. A nojo da minha anti-democracia prefiro não me alongar muito sobre certos partidos. A verdade é que o PSD quase não existe em Constância. Sufoca-se de quatro em quatro anos por alguma notoriedade. Não conheço o programa. Li algumas coisas em editais públicos e poucos dos presentes nas listas conheço. Do PSD tenho eu de ouvir todos os dias nesta terra de comboios que passa vida a ver passar os navios.
O CDS/PP fez o que se esperava de um partido como aquele é: intolerante, com laivos de xenofobia, alergia aos pobres e necessitados, narcisista na pessoa do seu líder, viviado em protagonismo. A candidatura do jovem do CDS/PP só pode ser vista como uma enorme afronta a toda a população, uma gozação no mínimo. Há qualquer coisa de desprezo na candidatura. "Estamos cá mas não queremos estar, mas somos giros não somos?". Até puseram um jovem com cara de intelectual de esquerda, tal e qual a ideia feita que se tem de um intelectual de esquerda. Paulo Portas, Nuno Melo e agora, bem perto de nós, Renato Gonçalves. Diga lá menino: Três Tristes Tigres... e depois vão assanhar-se para outro lado!
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